sexta-feira, 29 de junho de 2012

Para Vygotsky é o pensamento verbal que nos ajuda a organizar a realidade em que vivemos.

Voz do pensamento. Ele realizou experimentos com crianças para entender qual a função da união entre a linguagem e o pensamento e sua relação com a evolução.
Um dos grandes saltos evolutivos do homem em relação aos outros animais se deu quando ele adquiriu a linguagem, ou seja, quando aprendeu a verbalizar seus pensamentos. É por meio das palavras que o ser humano pensa. A generalização e a abstração só se dão pela linguagem e com base nelas melhor compreendemos e organizamos o mundo à nossa volta. Um dos maiores estudiosos sobre essa habilidade humana foi o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934), que em meados dos anos 1920 criou o conceito de pensamento verbal . 
Vygotsky dedicou anos de estudo para compreender as relações entre o pensamento e a linguagem – e esse foi um dos maiores acertos de seu trabalho. Até então, os estudos sobre o tema buscavam dissecar os dois conceitos isoladamente. De acordo com João Batista Martins, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), entender o desenvolvimento humano desmontando as partes que o constituem é errado. “Vygotsky reconhecia a independência dos elementos, mas afirmava que o caminho era compreender como um se comporta em relação ao outro, como eles interagem em suas fases iniciais”.
Para compreender essas relações, Vygotsky buscou analisar o desenvolvimento da criança. De acordo com ele, mesmo antes de dominar a linguagem, ela demonstra capacidade de resolver problemas práticos, de utilizar instrumentos e meios para atingir objetivos. É o que o pesquisador chamou de fase pré-verbal do pensamento. Ela é capaz, por exemplo, de dar a volta no sofá para pegar um brinquedo que caiu atrás dele e que não está à vista. Esse conhecimento prático independe da linguagem e é considerado uma inteligência primária, também encontrada em primatas como o macaco-prego, que usa varetas para cutucar árvores à procura de mel e larvas de insetos.
Embora não domine a linguagem como um sistema simbólico, os pequenos também utilizam manifestações verbais. O choro e o riso têm a função de alívio emocional, mas também servem como meio de contato social e de comunicação. É o que Vygotsky chamou de fase pré-intelectual da linguagem. Essas fases podem ser associadas ao período sensório-motor descrito pelo psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), no qual a ação da criança no mundo é feita por meio de sensações e movimentos, sem a mediação de representações simbólicas. “É a fase na qual a criança depende de sentidos como a visão para atuar no mundo e se manifesta exclusivamente por meio de sons e gestos, ligados à inteligência prática”, diz Martins.
Por volta dos 2 anos de idade, o percurso do pensamento encontra-se com o da linguagem e o cérebro começa a funcionar de uma nova forma. A fala torna-se intelectual, com função simbólica, generalizante, e o pensamento torna-se verbal, mediado por conceitos relacionados à linguagem.
1. A força da linguagem.
 

A arte se aprende praticando, compreendendo e apreciando




 O convívio nas artes e as artes no convívio Subestimar essa linguagem na escola é ignorar parte fundamental da cultura e empobrecer a formação para a vida e para o trabalho. Tanto quanto as ciências e as demais dimensões da cultura, a arte se aprende praticando, compreendendo e apreciando. Por isso, ela é para ser vivida, conhecida e saboreada. Curioso pensar que, diferentemente do que ocorreu na história humana, na qual as artes antecederam a escrita, as crianças da Educação Infantil cantam, moldam, dançam, representam e desenham enquanto iniciam seu processo de letramento. Mas é preciso reconhecer: à medida que avança a Educação Básica, a Arte frequentemente perde espaço. A disciplina vai sendo reduzida ou confinada, talvez porque em muitas escolas o caráter cognitivo da formação se empobrece, em prejuízo do sentido mais amplo do educar. Por isso, é oportuno questionar: por que as artes têm tido um papel menor na Educação?Deixá-las em segundo plano é um simples equívoco ou o reflexo de sua importância? Elas devem ser reconhecidas somente na disciplina de Arte ou também nas demais? As respostas a essas questões podem ajudar professores de todas as áreas a educar melhor, como mostrarei a seguir. Isso depende, porém, de uma compreensão mais lúcida do mundo e do sentido da escola, que leve à superação de um pragmatismo equivocado que substitui formação por treinamento desde os primeiros anos da vida escolar. Artes existem desde a pré-história e estão na origem da civilização. Em todas as épocas, deram forma e utensílios, edificações, representações e rituais, caracterizando cada cultura. O passado das artes persiste na imponência gótica da catedral, no enlevo da música barroca e na graça eterna do teatro de máscaras. Desprezá-lo seria como só ver sentido no último capítulo de uma obra sem ler os anteriores. Até hoje, as artes dão forma a inúmeras manifestações, não importa se seja o break na calçada ou o balé no palco, o conceito surpreendente da página do webdesigner ou a ponte estaiada do arquiteto. Esse amplo universo não pode ser ignorado pela escola. Só quem teve o privilégio de estudar em uma boa instituição, que valoriza as artes, sabe a importância de participar de um conjunto musical, de uma oficina de teatro e de grafite ou de ter visitado mostras e museus. Desenvolvendo a sensibilidade e o gosto do convívio nas artes se aprende também a arte no convívio. Valores como respeito, cooperação e tolerância também estão em jogo quando se ensina e se aprende Arte. Basta se lembrar do movimento entre os personagens numa peça ou do intervalo deixado para um solo de bateria. Ambos exercitam tais atitudes, nos preparando para lidar com uma intervenção durante reuniões de trabalho ou com opiniões divergentes numa discussão entre amigos. História e geografia, entre outras, também podem ser integradas à Arte. Não porque esta esteja a serviço de outras disciplinas, mas porque contribui com elas. Afinal, fazer a maquete do bairro dá uma realidade ao mapa, assim como analisar uma cerâmica ou uma pintura traz o passado para a sala. No entanto, ainda há quem acredite que o interesse pelas artes é irrelevante e existem muitas escolas que formatam seus currículos em função dessa percepção. Pois, para quem, equívocos como esses, encara as artes como opostas a outras atividades, posso contar que o mais ilustre cientista com quem ele conviveu, o físico alemão Albert Einstein ( 1879 – 1955), também tinha grande interesse pelo tema: gostava de música, tocava violino e não fez segredo sobre o quanto suas ideias nas ciências foram fortemente influenciadas pelo que ele aprendeu com a literatura. 

Luiz Carlos de Menezes ( Abril,2012.Nova Escola n°251) 
Sinteses do texto “O convívio nas artes e as artes no convívio” elaboradas pelos profissionais da educação da Escola Estadual Capitão Egídio Lima.